O DIA EM QUE TE DEIXEI

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Aquela foi noite mais feliz e triste da minha vida. Um dia que começou como quem não quer nada, aquela mesma rotina o dia inteirinho e no final, para compensar, aquela festa que tanto amo. Ainda que para mim seria uma noite como qualquer outra, dessa vez não foi: fui surpreendida por uma onda do destino, mas pode-se dizer que teve um empurrãozinho também. Você, ali dançando ao meu lado, quando toca o sertanejo que eu mais gosto e, sem ninguém para dançar, te convido. Você pega minha mão, coloco a outra no seu ombro e encosto meu rosto no teu, me encaixo. Fecho os olhos e esqueço o resto do mundo, esqueço até mesmo a música, concentrada apenas em nós.

Quando me dou conta já estamos abraçados, dançando sem errar um passo.  Eu estava tão feliz… Droga, só eu sei o quanto eu estava feliz. No embalo da musica, entre giros, risadas e cantorias, você dispara: “essa foi a primeira música que a gente dançou”. Parei – Como você lembra disso? “é claro que eu lembro”. Estou despedaçada. Por que, Deus, não estamos juntos?

Dançamos, dançamos muito, dançamos todas as outras músicas até acabar a noite, indo pra casa com o sol nascendo, porque antes paramos para um cachorro-quente. Eu não estava com fome, ainda sim você me deu um pouco do seu lanche e foi deitar com a barriga roncando (hahaha) rimos bastante disso. Deitei antes de você, de lado, e, sem saber muito bem como reagir, fechei os olhos. Você deitou ao meu lado em seguida, e senti sua mão em minhas costas. Te olhei e me aproximei, coloquei o rosto no seu peito e te abracei, estou em casa.

Apesar de estarmos cansados e com muito sono, mas não paramos um minuto de fazer carinho um no outro. Foi então que decidi mentalmente que, por mais que você pegasse no sono, eu não iria dormir. Eu não queria perder um segundo sequer, queria prestar atenção em cada detalhe desse momento pra nunca mais esquecer. Enquanto isso, você me perguntou por que que eu estava tão concentrada: era isso que eu estava pensando, enquanto te olhava fixamente sem dizer palavra alguma. Eu tava guardando na minha memória, tão congestionada, teu rosto, ali, naquele momento, deitado ao meu lado, com uma carinha tão linda de sono… Droga, eu estava tão feliz.

Conversamos um pouco sobre tudo. Te enchi de beijos, você me encheu de carinho. Te dei um beijinho na bochecha, na boca, na outra bochecha e depois no nariz, você sorriu e depois caímos na risada porque foi fofinho demais. Eu não costumo ser tão fofinha assim, mas era uma exceção, era a nossa última vez juntos. Droga, era a nossa última vez e, mesmo com o coração despedaçado, eu estava tão feliz por estar com você… Eu não queria pronunciar aquelas palavras, mas era preciso. Olhando no fundo dos teus olhos eu disse: essa é a nossa última vez juntos.

Repeti isso umas 15 vezes, mesmo. Não para você entender, mas para eu acreditar nas minhas próprias palavras: essa é a nossa última vez. Você balançando a cabeça dizendo e repetindo que não, que não era. E eu repetindo que sim, era a última vez. Enquanto eu pronunciava palavras, os meus olhos diziam: sou sua, eu quero ficar. Meus olhos suplicavam: eu não quero ir embora, por favor, não me deixe ir. Queria que tivesse enxergado isso neles.

Ficamos abraçados por mais algum tempo e depois caímos no sono. É como se pertencêssemos um ao outro, cada momento ao seu lado é uma eternidade. Alguns infinitos são maiores que outros, aquele era o nosso infinito.

O celular despertou meia hora depois e tive que levantar devido aos compromissos que tinha. Bom, é hora de voltar para a realidade. Me arrumei, te dei um beijinho enquanto você dormia e sussurrei no seu ouvido: eu te amo. Te olhei mais uma vez enquanto dormia e sorri, eu também não queria esquecer isso.

Eu preciso mesmo ir? Com o coração na mão, fechei a porta. Estou despedaçada. Uma lágrima, duas, quem sabe três… Fingindo que tinha entrado areia no olho para as pessoas não se assustarem na rua. Te dei adeus implorando para ficar, e, por mais que eu acredite que aquela não foi a última vez, meu coração segue despedaçado. Me pergunto quando será a próxima vez, daqui 6, 8 meses? 1 ano, 5, 10 anos? Me pergunto quando é que sentirei nosso abraço, único no mundo inteiro, ou quando me sentirei em casa de novo, sendo esse o momento em que me sinto plenamente feliz.

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